Archive for abril \22\UTC 2010

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Todos os dias quando acordo com o pensamento em você
Sei que vai ser um dia desafiador.
Um dia que vou precisar me esforçar muito para não me perder na saudade.
Um dia que tudo o que ocupa meu pensamento é a vontade de voltar no tempo.

Sei que o dia vai correr e a dor vai apertar
Sei que as lembranças dos abraços não dados, dos beijos não beijados virão trincando
Faiscando na minha mente, me fazendo sentir uma dor aguda: dor da perda e do “nunca mais”
Ao sentir teu cheiro e ouvir tua voz novamente, tão bem guardados na memória
Ficarei em transe e inerte no tempo.

E vou lembrar de tuas histórias – todas elas – de tristezas, desafios e alegrias
E nesse dia que a saudade é tão grande
Nem sou capaz de lembrar dos dias que me entristeci contigo
Porque neste dia tudo o que desejo é te ver novamente e saber que você ainda está por perto

Quando acordo pensando em você, eu sei… vai ser um dia “daqueles”…

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>O findar da chuva

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Chovia há dias sobre o seu telhado
Sobre o seu chão
Sobre o seu jardim
Tudo estava constantemente úmido

Uma cortina de chuvisco formada anuviando sua visão
Os seus olhos já cinzentos
Olhava pela janela constantemente, esperançosa
Sobre o reflexo de espelhos no asfalto molhado
Que a chuva abundante havia causado

E ela esperando todos os dias, pacientemente
Ver um arco-íris surgir entre as nuvens
E voltar a sentir o calor na pele
E o brilho de um dia ensolarado
Para responder a si mesma que os dias não são iguais.

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>Catar palavras

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Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar


Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo;
pois para catar esse feijão,soprar nele,
e jogar fora o leve e oco; palha e eco.


Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados
entre um grão qualquer, pedra ou indisgeto,

um grão imastigável, de quebrar dente.


Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase grã mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a com o risco.



João Cabral

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