Archive for dezembro \02\UTC 2007

>O meu olhar

>O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada é aquilo que nunca antes eu tinha visto.
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial que tem uma criança se,
Ao nascer, reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo.
Creio no mundo como num malmequer, porque o vejo.
Mas não penso nele porque pensar é não compreender…
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos).
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…
Eu não tenho filosofia; tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso.
Porque quem ama nunca sabe o que ama,
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…
Amar é a eterna inocência, E a única inocência não pensar…

Alberto Caeiro

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